Adaptação de Instrumentos de Medida

Tradução e Adaptação Transcultural
Análise de Dados Ambientais

Luiz Diego Vidal Santos

Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS)

ADAPTAÇÃO

ADAPTAÇÃO

DE INSTRUMENTOS DE AUTORRELATO

ADAPTAÇÃO DE INSTRUMENTOS

O que vamos aprender

  • Adaptação não é tradução
  • Tradução
  • Síntese da tradução
  • Avaliação por comitê de experts & público-alvo
  • Back Translation

Adaptar não é traduzir

O processo adaptação é muito mais completo que a tradução;

Um processo errado na adaptação dos itens pode resultar em frases incompreensíveis ou não coerente com o idioma-alvo (Hambleton, 1994)

ADAPTAÇÃO DE INSTRUMENTOS

TRADUÇÕES

Dois tradutores, visando minimizar o risco de vieses linguísticos, psicológicos, culturais e de compreensão teórica e prática (Cassepp-Borges, Balbinotti, & Teodoro, 2010).

Qualidade dos tradutores

  • Fluentes no idioma de origem do instrumento e nativos no idioma-alvo.
    • Considerar as nuances do idioma para o qual o instrumento se destina
    • Maior adequação cultural da adaptação.
  • Tradutor 1: Familiaridade com o construto avaliado → Foco em maior rigor científico
  • Tradutor 2: Pessoa da população geral, sem conhecimento de Psicometria → Foco na linguagem usada pela população geral. ADAPTAÇÃO DE INSTRUMENTOS

SÍNTESE DAS TRADUÇÕES

Síntese das Traduções

Refere-se ao processo de comparar as diferentes traduções e avaliar as suas discrepâncias semânticas, idiomáticas, conceituais, linguísticos e contextuais, com o objetivo de se chegar a uma versão única.

ADAPTAÇÃO DE INSTRUMENTOS

SÍNTESE DAS TRADUÇÕES

Fontes de complicações:

  • Traduções erradas

  • Traduções complexas e rebuscadas

  • Traduções demasiadamente simplistas que subestimam o conteúdo do item

  • Traduções que não respeitam a ‘linguagem falada’, com o uso de termos e expressões pouco comuns na ‘vida real’

  • Em geral, quem traduz, busca traduzir ao pé da letra.

  • No processo da síntese é que acontece o primeiro passo da ‘adaptação cultural’ ADAPTAÇÃO DE INSTRUMENTOS

SÍNTESE DAS TRADUÇÕES

Quem faz a síntese?

  • Autor do estudo e equipe de pesquisa. O que deve ser avaliado?

  • 1) Equivalência semântica: Se o item apresenta o mesmo significado do original e se existem erros gramaticais na tradução

  • 2) Equivalência idiomática: Refere-se a avaliar se os itens de difícil tradução do instrumento original foram adaptados por uma expressão equivalente que não tenha mudado o significado cultural do item

  • 3) Equivalência experiencial: Refere-se a observar se determinado item de um instrumento é aplicável na nova cultura, e em caso negativo, substituir por algum item/conteúdo equivalente

  • 4) Equivalência conceitual: Busca avaliar se determinado termo ou expressão, mesmo que traduzido adequadamente, avalia o mesmo aspecto em diferentes culturas ADAPTAÇÃO DE INSTRUMENTOS

SÍNTESE DAS TRADUÇÕES

Ainda sobre o processo de síntese

  • Em caso de falhas e limitações nas traduções, o comitê pode propor uma nova adaptação, que seja mais adequada às características do instrumento e à realidade onde o mesmo será utilizado.

  • Atenção: A participação dos autores responsáveis pela tradução do instrumento é fundamental, visto que estes devem possuir conhecimento suficiente sobre o construto que o instrumento avalia.

  • É normal que ao final do processo, o pesquisador tenha:

      1. Alguns itens do Tradutor 1 e outros do Tradutor 2
      1. Itens mesclados (parte do Tradutor A e parte do Tradutor B)
      1. Itens modificados e redigidos pela equipe
    • VER FICHA ADAPTAÇÃO DE INSTRUMENTOS

Ainda** ****sobre**** ****o**** ****processo**** ****de**** ****síntese**

  • Comitê de *experts** *na área da avaliação psicológica, ou, se possível, na área específica do instrumento;
  • Avaliará aspectos ainda não contemplados, tais como a estrutura, o *layout,** *as instruções do instrumento e a abrangência e adequação das expressões contidas nos itens.
  • Termos ou expressões podem ser generalizados para diferentes contextos e populações?
  • As expressões são adequadas para aquele público a que o instrumento se destina? ADAPTAÇÃO DE INSTRUMENTOS

AVALIAÇÃO DA SÍNTESE

Cuidados adicionais com populações

  • Crianças
  • Idosos
  • Aspectos da diagramação são tão imprescindíveis quanto os aspectos linguísticos dos itens
  • A clareza do rapport, a adequação do tipo e tamanho da fonte utilizada, a disposição das informações no instrumento, etc. ADAPTAÇÃO DE INSTRUMENTOS

Verificar se as sentenças, as instruções e a escala de resposta são compreensíveis para o público alvo.

ADAPTAÇÃO DE INSTRUMENTOS

Verificar se as sentenças, as instruções e a escala de resposta são compreensíveis para o público alvo.

As instruções são claras?

Os termos presentes nos itens estão adequados?

As expressões correspondem àquelas utilizadas pelo grupo?

Os sujeitos a participarem desta etapa podem variar de acordo com as características dos respondentes a que o instrumento se destina.

  • Escolaridade, regiões do país, etc. ADAPTAÇÃO DE INSTRUMENTOS

AVALIAÇÃO PELA POPULAÇÃO ALVO

FICHA DO PILOTO COM A POPULAÇÃO ALVO

  • Mudanças substanciais devem ser reavaliadas pela população-alvo
  • Caso não hajam modificações importantes, passa-se para a próxima etapa, de tradução reversa. ADAPTAÇÃO DE INSTRUMENTOS

BACK-TRANSLATION

BACK-TRANSLATION

Tradução Reversa

  • Trata-se de um procedimento onde o instrumento adaptado é traduzido de volta para a linguagem original

  • Possibilita que o autor da versão original avalie a qualidade da versão adaptada

  • Verificação de controle de qualidade adicional (Sireci et al., 2006).

  • Seu objetivo é avaliar se/em que medida o processo de adaptação mudou o significado do item, conforme propõe a versão original.

  • Deve suceder todos os procedimentos de ajuste semântico e idiomático

    • O instrumento, nesta etapa, deverá estar “pronto” para avaliação final do autor do instrumento original. Back-translation

BACK-TRANSLATION

Cuidados com a tradução reversa

  • Procedimento que requer cautela (Gudmundsson, 2009; Hambleton, 1993; Van de Vijver & Leung, 1997).
  • Crítica:** **a lógica da tradução-reversa desconsidera o que até então vem sendo preconizado:
    • Ao adaptar um instrumento, diversos aspectos, sejam eles culturais, idiomáticos, linguísticos e contextuais, precisam ser considerados.
    • Se fazemos uma série de adaptações culturais no item, qual o sentido de traduzir ele de volta para a linguagem original? Back-translation

BACK-TRANSLATION

Quem** ****faz**** ****a**** ****back-****translation?**

  • Dois tradutores que não aqueles que realizaram a primeira tradução (Beaton et al., 2000).

Qualidade** ****dos**** ****tradutores**

  • Um nativo no idioma alvo do instrumento (Brasileiro fluente em inglês)
  • Um nativo no idioma de origem do instrumento (Americano, fluente em português).
    • É importante ter ao menos um nativo para que a retrotradução seja o mais correta e usual possível (i.e., gramaticalmente correta e adequada de acordo com o padrão de uso da língua) Back-translation

BACK-TRANSLATION

Cuidados com a tradução reversa

  • O objetivo da tradução reversa não deve ser a obtenção de uma equivalência literal entre as versões
  • Ferramenta para identificar palavras que não ficaram claras na língua-alvo, inconsistências ou erros conceituais na versão final Os autores do instrumento original nem sempre entendem isso

Back-translation

ESTUDO-PILOTO

Estudo-piloto qualitativo (avaliação da população-alvo)

Estudo piloto quantitativo?

  • Análise de dados com N baixo é problemático
  • Se acontecer um problema, o problema está na medida ou no N? Back-translation

Obrigado!

Luiz Diego Vidal Santos

Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS)